Vito Cesar Fontana
Nasci Paulista. Filho de italiano, que teve um átimo de lucidez e decidiu vir morar no Brasil de 50-51 e de uma quase menina de 18 anos, filha de uma espanhola e um Paulistano não muito felizes mas mesmo assim com muitos filhos, num 53 de mudanças (no literal e figurado), tendo aos 02 anos e 1/2, ido morar no Rio de Janeiro, por razão da transferência do meu pai, etc. e tal. Até 67 vivi um Rio que não existe mais, começando alí a desenvolver um sentimento imenso com relação à natureza humana. Mais uma vez mudanças, desta vez para o Recife, onde me situo desde o 67 até agora, tendo terminado de construir o jeitão Brasileiro de ser poraqui mesmo, tendo feito colégico, vestibular, faculdade de Medicina, especialidade em cancerologia e finalmente tendo me especializado em Radioterapia.
O meu lado literário vem sendo desenvolvido desde os 15 anos, tendo iniciado a minha carreira nas bancas do colégio Porto Carreiro. Foi aí que me colocaram na fria de escrever o Jornal do Grêmio Paulino de Andrade, onde eu era o redator, repórter, jornalista, copydesk, colunista social e contador de histórias e poemas, que realmente agradaram aos gregos e Troianos que me perseguiam. Comecei a escrever letras de música, achei que, escrevendo letra de música também podia escrever poesia e, sendo assim, escrevendo poesia poderia escrever prosa, etc... Bem, pra resumir, escrevi dois livros de Prosa, estou escrevendo um livro de contos - que eu acho muito bom -, uma coletânea poética razoável,... etc....
Mensagem para o Vito
vcf@truenet.com.br

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FUMO
Fumo...
Na Rosa Japonesa,
sem arte,
(nas costas fumegantes das mulhres,
e crianças que correm,
na carne e nos gritos...)
nos avisos de guerra...
Fumo,
dos contos de fadas,
Fumo livre, vento livre,
como o fumo dos navios,
que se vê do cais...
Fumo,
das origens esquecidas,
no barro, na lama,
de onde se faz cada homem,
pelo sopro da vida...

Fumo,
nas mesas de jogo,
na tosse do peito,
onde morro,
não pelo fumo,
mas pelas idéias....

 

QUALQUER TEMA
Um homem passa correndo,
porque uma história o pedia,
porque havia uma rua,
porque havia um cachorro,
que revirava seu lixo,
que veio do apartamento,
onde havia pessoas,
que se faziam família...
E na família, rancores
pendências antigas,
fazendo palavras,
e nas palavras as dores,
que ciruclavam na mesa...
Embaixo daquela mesa,
sempre havia crianças,
que se brincavam de tudo,
por não saber desse mundo,
o mundo por cima da mesa...
E as palavras fluiam,
ainda, ao redor dessa mesa,
e mentiam, porque havia os temores,
e, nêles, a ira,
porque havia amores,
talvez amores calados,
por um sentimento de medo...
Lá embaixo,
o homem corria,
levando talvez um segredo,
e o cachorro seguia,
revirando seu lixo,
feliz por matar seu desejo...

LUA CHEIA, CÉU E MAR
Escrevi cinco poesia, numa noite de luar,
Coisa fácil, bem ligeira, lua cheia, céu e mar,
danei tinta na caneta, rabisquei pra me lascar,
Guardei tudo na cabeça, escrevi sem mais parar
Que ofício mais penoso! Que ofício, poetar!
As idéia se arruma, nosso peito rodopia,
E a gente só espera,
que as cocêra nunca coce,
Que os bicho num importuni
pras palavras se inspirar!
Olhei fundo aquele escuro, respirei aquele ar,
veio tanta coisa linda, veio tanta fantasia,
que a minha poesia, fez meu peito suspirar!
Vi a musa, toda nua,
vi o corpo dela andar,
Nas areia, sobre as ondas,
num galope de espantar...
Era ela! Era tudo! Coisa boa de sonhar!
Talvez fosse Madalena, ou quem sabe Guiomar?
Que chagava de mansinho,
só pra eu me machucar!
Fiz mais cinco poesia, nessa noite de luar,
Coisa fácil, bem ligeira, muita areia, céu e mar....

 

TEMPO DE ÍNDIO
Em parte, em fim, a sorte, a multidão,
dará seu próprio grito,
e aos poucos trocará o bem e o som,
pelo seu próprio ritmo,
E núvens haverá,
pairando ao sol de um céu bonito,
E quem viver verá,
Não há núvem nem sol,
na cor do infinito,
Estrelas pulsarão sua explosão,
de organismos nítidos,
E vivas expandirão algo maior,
que o maior dos mitos,
Em tudo haverá sempre talvez ou nunca, relativos,
E a busca de uma nova lei, seja qual for,
não permitirá capítulos,
E a saga, feita em flor, irá calar a dor,
E a carne fluirá, pelo amor do amor,
E regosijará,
Porque é do amor, o amor,
o seu de nós,
todos em cor
Não sei se é assim, o bem/o mal, esse confuso tipo,
Não sei se é razão, não ter razão cada palavra,
Mas certo haverá maior contemplação,
por um tesouro tão bonito
Portando, precisar todo querer e as maravilhas!
Portanto se deixar correr, o ardor das maravilhas!
Portanto ser melhor, do que o melhor de cada dia!
E a fauna/flor/homuncular ensinará sabedorias...
Um monolito Jaz(z), aqui/alí, num tempo indefinido,
E o branco/negro/índio encontrará mais um Graal
em sua tenda,
E algum poder maior,
que vem assim, como de mim,
se mostrará em fim a um corumin....

 

PANTOMIMA
( a Lysias Ênio)
Aparecerei, qualquer meio-dia desses,
no meio da vida , que tudo norteia,
de porre, de mala, de cuia às avessas,
cobrando promessas de coisas vividas.
Às avessas, os anversos de bulas de dôutos remédios,
(tão bem traduzidos)
Serão meu discurso, meu ludo, o meu comprimido
Atrevido nas vestes,
trarei pendurilhos, de tal colorido,
que as luzes de todos os sóis,
farão prismas e fachos
Terei braços abertos, pulseiras de tudo,
trarei absurdos nas pontas da língua,
camisa de flores, sorriso néon,
na mão uma faca,
na outra, baton....
A qualquer que passar pela esquina,
na linha de fogo,
terei pronto o ronco de farta trombeta,
terei modas, cantigas, odes e versos,
palavras sentidas,
venenos por certo...
No corpo um incesto, na voz as mentiras,
no peito uma bala, aberta em ferida,
pingando o sangue da guerra esquecida....
Amanhã (qualquer um!),
no meio do meio-dia,
estarei no meio da vida,
pedindo moedas....

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