Pereira da Cunha
Antônio Carlos Pereira da Cunha ( O Leão dos Pampas )
Gaúcho nasceu em 10 de Maio de 1870, estudou Direito em São Paulo, depois retornando ao Rio Grande foi nomeado o 1º Promotor Público onde se tronou um grande tribuno e orador, convidado pôr Getúlio Vargar, como orador para lançar sua candidatura a Presidência do Brasil. Trabalhou muitos anos como advogado, sendo o primeiro a defender um afro-brasileira em plena colônia alemã na região. Dr. Pereira da Cunha morreu em 1943, possuía um cartório recebido de Vargas nos seus últimos cinco anos de vida. O Leão dos Pampas, era o vulcão do pensamento disseram seus contemporâneos, arrebatava multidões.
Este grande poeta chegou ao "Cantinho do Sala", graça a sua bisneta
Suzana Cunha Heemann que também participa desse site.

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O PECADO DO AMOR
Não acuseis o amor... o pecador
é que, pôr procurá-lo, com certeza
engana-se, e, enganando-se, a fraqueza
a fraqueza tem de querer amar- não tendo amor.

Amor- força imortal, é sentimento
que só sente quem pode - cousa rara...
Brota do coração num só momento
E vive enquanto o coração não pára!...

Água fresca de fonte que não seca.
Amor - o puro amor quem quer que sonda
o próprio coração - vê que não peca...

Amem todos... e se a pergunta cabe
no fim de verso: Digam como e onde
o pecado do amor ?!... E ninguém sabe !
(1905)

 

MONTANHA DA VIDA
Longe ainda a velhice... no entanto,
pôr tanta amarga dor haver provado.
Julgo que vivi muito e mesmo tanto
que da vida, sinto-me cansado.

E quanto inda que andar, para a montanha
subir da vida... a passos largos, francos,
quem subi-la sofrendo, não estranha
chegar no alto com cabelos brancos.

De lá de cima, pela grande altura,
Não vê-se mais o ponto de partida...
Olha-se para baixo, e vista é escura.

Nota que mesmo devagar andando
a gente vai, no início da descida
rapidamente pela morte entrando!...
(1905)

 

OLHOS ( Série de três poesias )
Teus lindos olhos tão negros,
Negros assim como são !
Não deixam vêr o caminho,
de chegar-se no coração

(dedicado a filha Laura Kozeritz P. de Cunha )

TEUS OLHOS
Teus olhos são dois cupidos,
com tantas setas e raios,
que os homens ficam perdidos,
os corações tem desmaios.

Feriram-me logo os sentidos,
num tão forte explosão,
que pareciam dois bandidos
queimando meu coração.

São muito mais do que olhos
na força de uma atração
fugindo, teus olhos pregam
as táboas do meu caixão

Tormento de minha vida,
Os teus olhos não tem véo,
Olha-me sempre querida,
Com essa luzes do céu

(Dedicado a sua esposa Zeferina Kozeritz P. da Cunha )

OLHOS
Olhos que trazem almas presas.
Benditas luzes etéreas!
São esmeraldas acesas,
que andavam sempre escondidas.

São olhos na flor do rosto,
neles agora me vejo
e as próprias pênas com gôsto,
eu sinto vendo teus olhos.

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