Chico Poeta
Antonio Francisco Chico Poeta Fereira dos Santos,Nascido no dia 17 de julho de 1951 na cidade de São Luis do Maranhão. Funcionário público, casado, 4 filhos.
Trabalhos Publicados: "O Crepúsculo", poesía-1967
                               "Caminhada Noctívaga", poesía-l970
                               "Tentativa". poesía,l99l
                               "Insistência", poesia, l996
Mensagem para o Chico
poeta@elo.com.br

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SONATA DO HOMEM QUE DESPERTA
José vendeu a rés
(única).
Comprou sapatos,
duas camisas
e um par de calças.
Aposentou a enxada
foi para  a estrada
e entrou no ônibus.

José construiu casas
não para ele,
pra cidade;
pintou,
serrou, rolou
nas ruas;
fez de sua fé
uma bandeira crua.

José passou anos
percorrendo
a vida.
Em outro ônibus
encontrou saída.

José passou
pela mesma estrada,
pesou, mediu
todos os desenganos:

Pegou na enxada
e aposentou os
sonhos.

DESGASTE
Quando eu me der
pra você,
Você há de entender,
será só por amor.

Terei sarado as feridas,
as marcas sentidas
que a dor me deixou.

Quando eu me der
pra você,
não confunda a entrega
como um caso qualquer.

Pois já cansada estou
de em nome do amor
ser objeto mulher.

LUTE
Lute,
pois qualquer
que seja o resultado
você tirara proveito.

Lute,

Se ganhar,
não esqueça de olhar
com bons olhos
os que ainda estão lutando.

Lute,

Se perder,
aproveite para avaliar
sua resistência.

Tome fôlego,
levante
e volte à luta.

Lute.

TORNEIO
O Botafogo perdeu
para o vasco no domingo
e
a criança chora na
segunda-feira;

A galinha morre
no domingo
e
a criança chora na
segunda-feira;

A cachaça engana
o domingo
e
a criança chora na
segunda-feira;

A criança adoece no sábado;
a criança morre no domingo
e o remédio só chega
na segunda-feira.

 

MOTIVOS
Sonha, menina, que o
tempo é escasso,
remenda os pedaços
das decepções.
Sonha e vive
não há tempo pra tudo
pra erro há desculpas
de muitos perdões.
Há espaço pra sonhos
de pouco sonhar,
há verbos presentes
te basta usar.
O que tu pensares
procura agir,
te enfrenta, menina,
não vale fugir.

Se hoje fizeres
o que sempre quiseste
não tens que pensar no
abstrato feliz.

Para que mais tarde
somando viver
não te arrependas das
coisas que deixaste
de fazer;
sonha, menina.

MUTUALISMO
Dentro do homem
mora um anjo
e uma fera

O anjo guarda a fera
tão bem escondida
como a fera guarda
o anjo.

Quando o anjo se ilude,
quem ama é a fera.
Quando a fera se fere
quem se machuca é o anjo.

Na constância do verbo
quem padece é o homem
por causa do anjo,
por causa da fera.

CONTÁGIO
(Ao José Elouf)
Na minha rua
mora um homem
amargo.

Das paredes da casa
do homem amargo
solidão, limos e musgos.

No quintal do homem
não existe cachorro, gato,
sequer uma galinha
que pudesse transpor
a minha cerca
para comer o cheiro
verde ou o cuentro
que planto.

Já tentei modificar
o homem amargo
com filosofia, com
poesias, e ele me mostrou
atos.

Não consegui modificar
o homem amargo,
mas seu vizinho já anda
se queixando de amargura.

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