
Flávio Villa-Lobos- 43 anos, natural de Amparo SP, lançou seu primeiro livro de
poemas, "VISÕES ADOLESCENTES", em setembro/96, na cidade de Campinas/SP, onde
reside atualmente. Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional, encontra na poesia "uma das
grandes consolações da vida e um dos modos de elevação do ser humano sobre a
precariedade da sua condição", como já dizia Drummond. Seu segundo livro
"JADE", será lançado em abril/98, através da
editora Mar de Poesia Diária. Possui uma homepage ( http://www.correionet.com.br/~lobos
), onde divulga seu trabalho literário.
Mensagens para o Flávio - lobos@correionet.com.br
VORAGEM
Aceita meu convite:
estende tuas mãos prontas
para a viagem incógnita e imprevisível.
Agarra-te com astúcia na cabeladura desse vento
melodioso
e voa comigo para o desconhecido
- lugar errante que abriga
amores inexoráveis
e nômades arqueados por dores
invisíveis.
Dentro dalma, o eterno conflito:
viver o amor em conta-gotas (para sempre)
ou deixar explodir
a paixão no peito transtornado?
Voa comigo às cegas
e verás um paraíso apenas
consentido
aos amantes desvairados
que vencem
o temor esculpido
nesse improviso.
Aceita meu convite:
não espera o tufão virar brisa,
a cor esmaecer,
os versos impecáveis
perderem o sentido.
| PASSEIO PÚBLICO Esguio, um corpo flutua acima do bem e do mal em noites de lua cheia, roçando a pele morena no vestido molhado em tafetá. Balançando vagarosamente a favor do vento - a favor de tudo que transcende a natureza do belo - caminha em direção à praça Visconde de Irajá, num andar cadenciado que ateia fogo em apaixonadas retinas, inspira poetas instantâneos - rimadores de ocasião - ao mesmo tempo em que desapruma olhares enfeitiçados num gozo coletivo que vai explodindo em surdina. O calor da noite evapora sonhos e desejos assim que o doce bailar da menina desaparece sob uma chuva de pálpebras se fechando, - ulular de machos inquietos - rastreando o cheiro da fêmea que indiferente ao movimento vai-se embora, sumindo por aquela impassível esquina. |
MADRUGADA E FUGA
Noite alta
silêncio das horas
nuas
reviravolta
redemoinho intátil
âmago pródigo
em retinas
- devaneios ávidos.
Memória acesa
tempo/viagem
recôndita
águas passadas movem
muitos moinhos...
ventos prazerosos nunca
dantes
- vôos libertários.
Onde ficaram
planos concebidos
detalhes
desatinos
cúmplices olhares/amores invencíveis/
plenos desejos?
Na poeira fugidia de outros caminhos
- vários obscenos.