Lorena Vieira
Essa doce menina de quinze aninhos é uma das grandes e boas surpresas que recebemos para publicar agora que o site já está com dois anos de vida. Ela é da terra de grandes poetas, a Bahia querida por todos e que pelo visto continua a produzir bons novos talentos.
Mensagens para a Lorena -
vieira@bitsnet.com.br

Sei que existes

Não conheço seu nome. Sei que existes
Fora de mim em algum lugar estranho
Onde nunca chega um brado de tristeza
De quem perdeu no tempo o seu rebanho

Na legenda das horas te pressinto
E te vejo no abismo que transponho
Só o leme do amor não foi extinto
No desespero em que perdi meu sonho

Vives nas tardes para além dos montes
Incendiando rios e horizontes
E ampliando frustrações dentro de mim

Só eu e a solidão te conhecemos
No longo exílio desses dois extremos
Nesta espera que não tem fim...

A Rosa

Da janela uma rosa observo
Vejo-a exibir um vermelho carmesim
Toda aquela beleza conservo
E sou tentada a descer ao jardim

De perto ela parece ainda mais intocável
E uma gota de orvalho me chama a atenção
Parece banhar aquela beleza invejável
Escorregando graciosamente até o chão

Fico ali, observando-a parada
Vendo-a balançar com o vento
No suave ritmo da brisa embalada
Aquela imgem, não sei porque, guardo no pensamento

A cada momento a beleza parece
Ainda mais em encantar
E desejei ir além do que se conhece
E ousei aquela rosa tocar

Fiquei tão presa à sua beleza
Que não pude notar seus pequenos espinhos
Como tem armadilhas a natureza!
Que só pude ver quando vi do meu sangue os pinguinhos...


Há sempre uma razão

Há sempre uma razão em cada gesto
e em cada frase um pouco de protesto,
que deixa triste quem caminha só,
como se fosse, à margem de uma estrada,
a pedra bruta, inerte e desgastada,
acariciada apenas pelo pó.

Há sempre uma razão rondando a porta
de quem alcança o riso que conforta
e, como eu, engana a própria dor,
como se fossem passos de um espinho
ferindo a folha, em forma de carinho,
para viver mais perto de uma flor.

Há sempre uma razão no riso triste,
que no meu dia entardecido existe,
emoldurando o meu olhar magoado,
como se fosse a máscara ferida,
de uma alegria que viveu perdida
na face do palhaço mais gozado.

Há sempre uma razão quando eu componho
e o verso traz depois de cada sonho,
um pouco da tristeza tão antiga,
como se fosse a árvore agitada,
que o vento deixa toda desfolhada,
privando alguém de sua sombra amiga.

Há sempre uma razão quando eu canto
embarga minha voz farta de espanto,
e se transforma no meu grito incerto,
como se fosse a voz de um passarinho,
cantando o sonho de voltar ao ninho,
e transformá-lo em pássaro liberto. 

 

Hipocrisia

Envolta em pensamentos
Caminho sem direção
Sou levada pelos ventos
A lugares sem pulsação

O lugar é sombrio
Não há sons, não há vida
Sinto no corpo um arrepio
E ao mesmo tempo me sinto comovida

O silêncio é mortal
Apesar disso sinto paz
Podem os mortos fazerem mal?
E que diferença isso faz?

Eu pareço fazer parte do lugar
Todos eles parecem me entender
É como se meu cérebro insistisse em pensar
Numa tentativa involuntária de viver

Lembro da minha convivência
Antes de entrar por aquele portão
Esgotei toda a minha paciência
Com pessoas mortas, sem coração

Talvez esse fosse mesmo o meu lugar
Onde eu não veria tanta hipocrisia
Onde eu não teria que lutar
Com esse mal a cada dia

Sinto uma lágrima escorrer
E percebo que há vida no meu corpo
Mas não entendo porque viver
Quando o interior está morto

As pessas criam uma falsa felicidade
Eu não quero ser igual
Não quero fingir, fugir à realidade
Eu só quero paz, uma paz real

Tantas coisas me deixam indignada
Talvez eu seja mesmo direfente
Talvez eu não tenha sido treinada
Pra aguentar toda essa gente!

Eu vou continuar aqui
Não vou voltar pra lá
Não quero ter que fingir
Nem ver o que não há...

Saudade de Você

És poema da dor e da amargura
Que em meus olhos tristes se lê
E esta amarga expressão de desventura
Tudo é apenas saudade de você

Saudade dos teus olhos encantados
Que parecem falar não sei o quê
Talvez de estranho mundo consternado
Como é grande a saudade de você

Já dizem por aí que sofro tanto
É que vivo a ocultar não sei o quê
Que será? Ninguém sabe no entanto
É somente saudade de você

Meus castelos de sonhos tocaria
Por um simples casebre de sape
Mas não troco por nada esta poesia
Que nasceu da saudade de você...

Mais de você

De todos os amores
Por mim vividos
O seu foi o mais intenso
De toda a saudade
A sua foi a mais forte
De todos os beijos
O seu foi o mais gostoso
De todo o calor
O seu foi o mais ardente
De toda a ânsia de cometer loucuras
A sua foi a que mais me atentou
De todas as esperanças em amores depositados
O seu foi o que teve mais crédito
De toda a vontade de ficar junto
A vontade que me domina é a sua
Por isso de todos os amores eternos
Por mim prometidos
O seu será o único cumprido a risca.

VOLTAR

Índice