Cláudio Jorge Bentes de Castro
Nascido em Óbidos-Pa em 30/08/62, filho de Antonio Euder de Castro e Lilia Bentes de Castro, grandes amigos do Poeta Saladino de Brito. Participou de Antologia de Cidades Brasileiras 1986, publica suas poesias nos jornais de Belém, onde reside com sua familia.Seus poemas sobre Óbidos, retratam a imensa saudade sentida por essa magnifica, onde viveu parte de sua infância.
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SUBLIME LEMBRANÇA
É do alto daquela serra
Que eu vislumbro o horizonte
Enfeitando a minha terra
Circundada por um monte

É lá que meu peito encerra
Recordações sublimes, plangentes
D'onde os poetas da terra
Choram os amores ausentes

Serra da Escama
Só não te ama
Quem não te conhece

Quando estamos separados
Qual dois seres apaixonados
Meu coração padece.

ÓBIDOS
Ah! quem me dera ouvir os lamentos
Da juriti ao pôr-do-sol na mangueira
Ver o vento na fúria dos elementos
Balançando as folhas da palmeira

O grande rio, indômito, selvagem
A estroar seu canto bem forte
O pescador atravessando com coragem
A correnteza que o faz temer a morte

A cruz tôsca na beira da estrada
Onde saudoso o passarinho vai pousar
Alegrando do crepúsculo à alvorada
A singela beleza daquele lugar

A serrinha deslumbrante e tão bela
Com o grito da guariba ao entardecer
Sua floresta toda verde e amarela
Do pau d'arco que ali vai florescer

 

ENCANTOS
Eu nasci no campo entre as flores
Tendo por despertar o cantar do rouxinol
Eu vivi cada um de meus amores
Sob as plúmbeas cores do arrebol

Eu chorei de emoção e ternura
Ao atravessar com a canoa a maresia
Eu jurei um amor puro e eterno
Ao ouvir à tardinha a ave-maria

O sabiá cantando no serrado
O curral aberto de manhã cedo
O primeiro beijo da primeira namorada
Com a boca extasiada de desejo

O revoar de borboletas na campina
O fogo fátuo no portão do cemitério
Promessas, sonhos, crendices vivídas
E para sempre honradas em mistério

MOMENTO CRUCIAL
A febre endoidece meus sentidos
O pranto, meus olhos não ousam derramar
A pulsação em meu peito é lenta e fatigante
Meu Deus, meu Deus, o que está para chegar?

Quando a vida não mais habitar meu peito
Repleto de ternura e amor filiais
REzem uma prece à sombra d'uma palmeira
E descansem, pois estarei em paz

Sobre o caixão branco e majestoso
Que eu leve flores, rosas e cravos
Uma lágrima a rolar de minha mãe
Molhe meu rosto não mais da vida escravo

Que meu rosto ainda possuindo
Um frêmito de desejo do momento crucial
Seja ladeado de pétalas douradas
Da flor mais linda que havia em meu quintal

Quero meu filho a correr pelas campinas
Cortando a chuva e o vento a lhe açoitar
O rosto belo de homem que a vida
Pouco a pouco vai tentando deflorar

Epitáfio

Não chorem pela morte do poeta
Que cantava a vida e declamava ao sol
E nas noites de inspiração alucinada
Afagava seus anseios na cumplicidade do lençol.

AMANTES
Quem serão os amantes
Que evocas em teu cantar?
Por quê cantas com tanto medo
Será que guardas algum segredo
Que a ninguém pode contar?

Essa tua veoz meiga e macia
Já fez uma jura de amor?
Esse teu peito inflamado
Que cheira a rosa e pecado
Já sentiu alguma dor?

Essa pele bela e morena
Já se arrepiou de prazer?
Já sentiu o gosto d'um beijo
E ficou trêmula de desejo
Sem vontade de viver?

Esse sorriso sem jeito
Que apresentas no rosto
Já viveu e sentiu saudade?
Teve um vislumbre de felicidade
Sem nunca sentir desgosto?

Esses negros cabelos
Que pelo corpo te desce
Alguma vez foi acariciado
Com gesto obsceno, safado
Que te fez rezar uma prece?

Essas mãos tão pequeninas
Carregadas de languor
Já ousaram uma caricia
E provaram a delicia
Do vai-e-vém do amor?

Ah! e essa boca pequena
Que a minha deseja tanto
Já teve um beijo roubado
E os lábios magoados
De apertá-la nos cantos?

E esse teu louco desejo
Que o meu vem atiçar
Será o mesmo de antes?
Mas diga, quem serão esses amantes
Que evocas em teu cantar?

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